Na defesa do Servidor Público
Redes Sociais:

Notícias CNSP

A nova estratégia do Governo para aprovar a reforma da Previdência tem nome: chantagem

Publicado em: 09/01/2018

Por Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

 

2018 deve ser um dos anos mais agitados no campo político, com destaque para três eventos já marcados: o julgamento do ex-presidente Lula em 2ª instância em 24 de janeiro – que pode definir se ele concorrerá à Presidência neste ano –, as eleições (presidente, governos estaduais e Congresso) em outubro e a votação da reforma da Previdência, prevista para a segunda quinzena de fevereiro.

No final de 2016, quando a proposta de reforma da Previdência foi elaborada, ninguém imaginava que chegaríamos a 2018 sem que o texto tivesse sido votado no Congresso Federal. Naquela época, sua aprovação era dada como certa, considerando que o presidente Michel Temer (PMDB) tinha o apoio da maioria dos deputados. Hoje o cenário é diferente. Bem diferente.

 

Além de estarmos em ano de eleição – pensando em votos, os deputados costumam não defender pautas que são rejeitadas pelo povo, como é o caso da reforma da Previdência –, o governo Temer está desgastado devido aos escândalos envolvendo a própria figura do presidente, ministros e grandes empresários ligados a ele.

 

O número de parlamentares que o defende com unhas e dentes caiu bastante. Dos que sobraram, um dos destaques é com certeza o ministro da Secretaria de Governo, Carlos Marun. Para quem não liga o nome à pessoa, trata-se do mesmo que dançou em frente às câmeras após Temer se livrar da investigação que poderia levar ao impeachment.

 

Com a falta de apoio da população e o menor número de parlamentares que o apoiam, o governo Temer começou a jogar mais pesado para que a reforma da Previdência seja aprovada. Marun é figura importante nesse processo. Recentemente, o ministro disse que bancos públicos, como a Caixa Econômica, não liberarão recursos para estados que não apoiarem a reforma da Previdência. Disse também que parlamentares terão aspectos eleitorais positivos se os governos locais tiverem financiamentos liberados.

 

O ministro ressaltou que não se trata de chantagem, mas eu não consigo pensar em outro nome para a ameaça.

 

A impressão que tenho é a de que o tempo passa e os nossos representantes vão perdendo o medo de expor alguns processos pouco republicanos. Em outros anos, duvido que algum ministro diria em público que vai negar recursos de um banco público aos que não apoiarem o governo em determinada pauta. Agora que o Congresso é terra arrasada e a população já não acredita em mais ninguém, parece que certos pudores ficaram no passado.

 

É inadmissível um governo utilizar recursos de banco público para obrigar outros políticos a votarem a favor de suas pautas. Os estados não podem ficar à mercê desse tipo de chantagem (é assim que eu chamo, pois é disso que se trata). Como fica a população desses estados a ser beneficiados se os recursos não chegarem aos cofres?

 

Curiosamente, há poucas semanas, o governo lançou em diversas mídias propaganda na qual acusa os servidores de ser privilegiados, motivo pelo qual, segundo diz a publicidade, a reforma se faz necessária. Salvas as exceções, os servidores públicos não são os privilegiados da história. Privilegiados de verdade são os políticos que recebem muito e pouco produzem, que têm à disposição diversos auxílios e aqueles que usam bancos públicos para garantir apoio forçado dos governantes, como se esse tipo negociação fosse aceitável.

Com as eleições se aproximando, há esperança de fazermos uma mudança geral no quadro de parlamentares. É a oportunidade que temos para votar em um governo que trabalhe de forma diferente.  Em prol do povo.