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Brasil: um escândalo diferente por semana

Publicado em: 14/09/2017

Por Antonio Tuccílio, presidente da Confederação Nacional dos Servidores Públicos (CNSP)

Brasil: um escândalo diferente por semana

Há quem culpe os servidores públicos pela crise econômica, pelo suposto rombo nas contas da Previdência Social, pela falta de materiais e recursos em escolas e hospitais públicos. O servidor é vilão há muitos anos e isso é ótimo para os verdadeiros culpados. Afinal, o alvo somos nós, não eles. Mas quem são eles?

 

Aquele apartamento no qual foram encontradas malas cheias de dinheiro não pertence a um servidor. Não pertence a um professor de universidade. Não pertence a um fiscal de renda. Não pertence a um juiz. O imóvel, como todos já sabem, é atribuído a Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Secretaria de Governo de Michel Temer. Um político! Mais um com dinheiro sujo no bolso. A quantia era tão alta que a polícia federal demorou quase 24 horas para contar.

 

De onde será que vem tanto dinheiro? Enquanto essas figuras nadam em notas de cem reais e cem dólares, hospitais públicos mal recebem o básico para atender os doentes. Muitos sequer têm quartos e macas para os mais necessitados. Os professores de escolas públicas recebem baixos salários e trabalham em péssimas condições. A corrupção que desvia dinheiro público também mata. Indiretamente, mas mata (e em quantidade). São os corruptores, esses que devem ter malas e mais malas de dinheiro ainda não descobertas, os verdadeiros culpados pela crise econômica e pela crise moral que assolam esse país.

 

Como se não bastasse o escândalo das malas, na mesma semana foi noticiada a suspeita de que o ex-procurador Marcello Miller, quando ainda ocupava o cargo, teria auxiliado os executivos da JBS a fechar o acordo de delação premiada. Os indícios surgiram na gravação de uma conversa entre o proprietário da JBS, Joesley Batista, e um dos executivos da empresa, Ricardo Saud, ocorrida em março, antes de a Procuradoria Geral da República definir a delação – assinada 10 dias depois. Depois, foi a vez de o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, e o advogado Pierpaolo Bottini, que defende Joesley, se encontrarem fora da agenda em um bar de Brasília. A foto, feita por um frequentador do local, revela ambos em um canto, atrás de engradados de cerveja e Janot com óculos escuros.

 

No mesmo período, o Brasil se vê no noticiário internacional devido ao suposto pagamento de propina a eleitores do Comitê Olímpico Internacional (COI) para que o Rio de Janeiro fosse escolhido como sede das Olimpíadas de 2016.

 

Não importa para onde olhamos, a impressão que fica é a de que todos os setores estão corrompidos. Rara é a semana em que não nos deparamos com algum caso de desvio de recursos.

 

Não há dúvidas de que esse país precisa de uma renovação política. E em larga escala. Pode não ser uma solução definitiva, mas é um começo. Estamos há um ano das próximas eleições e cabe a cada um de nós pesquisar melhor quem colocar no poder e, posteriormente, cobrá-los e vigiá-los na esperança que episódios como esses fiquem como uma mancha negra na nossa história.