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ZILDA HALBEN GUERRA - A MESTRA QUE ENSINOU A CIDADE A LER E O APOSENTADO A TER DIGNIDADE

Publicado em: 11/07/2017

Nasceu para ensinar, lutar pelo ideal que sempre acreditou e fazer da vida um espelho, um exemplo a ser seguido em benefício de todos aqueles que acreditam na seriedade, honestidade e no princípio de solidariedade que inspira a vida em sociedade.

Na nobre missão de educar na escola pública de antigamente, dizia que seus alunos tinham que saber cantar o hino nacional, ler e escrever antes de completar o quarto ano do antigo primário. A cartilha como instrumento de trabalho diariamente era a grande companheira.

 

Não media esforços. Sem meios de transporte, tendo que ir de charretes, bondes e até a pé, nas sombras das árvores, em locais sem condições de higiene e segurança, orgulhosamente lecionou por muitos anos, e o seu histórico profissional assim demonstra.

 

Alfabetizou e deu novo rumo educacional para a população nos quatro cantos dessa cidade, sem preconceitos familiares, favorecendo sempre os mais necessitados e seus filhos, bem como as atuais secretárias do lar e os excluídos por discriminação social.

 

Enfim, uma vida dedicada à Educação.

 

Mas sua missão não havia terminado, pois pulsava em suas veias o sangue de líder para novos embates. Residia em sua mente a disposição de dignificar os Educadores que se aposentavam como ela e não mereciam o respeito e gratidão dos Governantes de plantão e da própria Constituição Federal.

 

Cônscia da nova missão, deixou de lado o tricô e novela na TV. E mesmo sacrificando a família, saiu a campo com outras companheiras, exigindo respeito e o legítimo direito dos aposentados, nas audiências, encontros, congressos, assembleias na Câmara Federal, Senado, Supremo Tribunal Federal em Brasília e em todo o Brasil. Liderando os aposentados, fundou a APAMPESP – Associação de Professores Aposentados do Magistério Público do Estado de São Paulo oficialmente em 1.994, mas desde 1.988 já com efetiva atuação.

 

Nesses quase 25 anos, ensinou que aposentado não é inativo, não pede esmola ou favor, mas, sim, exige o legítimo direito de quem construiu a Educação, inclusive dos atuais mandatários.

 

Dizia com convicção: “Algum professor primário ensinou-o a ler e a escrever e se você não respeitá-lo a vida irá reprová-lo”. Nem o Ministro do Supremo Tribunal Federal escapou da reprimenda para ler atentamente a Constituição Federal e julgou a G.T.E. a favor dos aposentados.

 

Memoráveis atuações em praças públicas, caminhadas de protesto nas ruas, verdadeiros exercícios de cidadania, discursos em caminhões faziam do seu dia a dia uma peregrinação pela dignidade dos aposentados e de seus 87 (oitenta e sete) anos de vida, fonte da juventude que jorrava o ensinamento de nunca desistir de lutar.

Lembro uma passagem que demonstra a força desta guerreira a favor dos idosos:

 

Residente na Aclimação e diariamente utilizando-se de ônibus elétrico – Santa Margarida -, ao subir no mesmo, verificou que um idoso com deficiência não conseguiria subir e ninguém o auxiliava. Como de costume, não se conformou e com a força da dignidade, desceu do ônibus e mesmo com a fragilidade física ajudou-o. Até quem indiferentemente assistia a cena, diante de seu exemplo a ajudou. Coisas de Dona Zilda. 

 

Acordou as consciências adormecidas de todos nós. Deixou um legado que se seguido nos conduzirá passo a passo na continuidade da luta por mais árduos que sejam os caminhos.

 

 

Somos seus filhos, netos, seus discípulos, órfãos da liderança viva, mas com a memória e disposição para continuar a luta da Mestra, dignificando-a, sem esmorecer, e mantendo a chama da esperança acesa para iluminar melhores dias na Educação e no respeito aos Educadores aposentados e aos idosos.

Dona Zilda sempre estará presente nos orientando, fazendo o coração bater com dignidade, pois somos felizes de tê-la conhecido e compartilhado de seu ideal e de suas lutas.

 

Do amigo de sempre,

 

JULIO BONAFONTE